23.9.14

DIAMANTES

De agora em diante
Não quero ver os diamantes dilacerarem a maioria
Não quero me recolher sem rever meu dia a dia
Não quero ignorar a dor que me angustia

De agora em diante
Eu quero ver esses amantes se extinguirem
Eu quero ver seus corações se quebrantarem
Eu quero ver seus postes ídolos despedaçarem

Dissonantes, destoantes, discordantes
Bem distantes do que os olhos podem ver

Bem longe do bem
Bem longe do amor
Bem longe de quem
Bem sente a dor

De agora em diante
Bem antes que as trevas me mostrem espinhos
Entrego os meus olhos para dilatar caminhos
Para expandir brilhantes destinos

saimon dias



4.6.14

OH ÁGUAS

Depois de acordar te quero
Pra espantar meu sono
Me animar neste outono
Que o tempo nem clareou

Depois do calor te quero
Pra saciar minha sede
Me arrancar o que excede
Aliviar meu seco interior

Sem você sou corrosão
Com você sou desinfecção

Depois do jantar te quero
Pra depurar meu estado
Me abrandar renovado
Do dia quente que se foi

Vou mergulhar neste canto
Que sai dos canos do espanto deste andar


Sem mágoas
Te espero oh águas
Pra me purificar

saimon dias

23.5.14

NA MOSCA

Sobre corpos desarmados
Vaga na pele indefesa
Este alvo maléfico
Nutrida sobre tudo que resta

Iminências asquerosas
Guerras infecciosas
Esquadra das nossas sobras
Gordas das nossas migalhas

Lixos, detritos, resíduos
Doces, lambidos, resquícios

Cubram suas cabeças
Vistam suas tezes
Tampem as panelas
Virem os copos

Germes, toxinas, vomições
Vermes, epidemias, invasões

Acerte na mosca
Elas estão sobre nossas cabeças
Vingando contra toda imunidade imunda

saimon dias

6.3.14

VAI CARNAVAL

Quero ver este carnaval passar
Passar mais rápido que o tiro da bala
Pq esse trem não me embala
Me trava e não me deixa andar

Enquanto essa romaria não passa
Nada acontece, tudo esmorece
Nem o sol, nem a lua me aparece
E eu fico aqui esperando essa massa

Vê se vai embora
Festa da solidão
Pois quem chora
Amargura o coração

Sua alegria não me alegra
Sua folia me desintegra

Vai carnaval
Vê se vai embora



saimon dias

15.2.14

ESTRANHO
















Quando a luz se esvai e a água se vai
Escorre o calor que o sol nos traz
Nos deixa a angústia da falta que faz
Estar em casa com a luz que não cai

Me seco quando falta as gotas do dia
Sem ela me sinto distante do lar
Bem longe me deixa este tão grande mar
Que inunda de dor minha desarmonia

Eu sou um estranho no olhar destes homens
Eu corro atrás do que eles não correm

Os olhos passam sobre a cor da minha pele
Engana-se quem pensa que sou opressor
Sou servo do Rei, o Libertador
O Caminho, a Verdade a quem Ele revele

Nesta terra eu sou estrangeiro
Mas não vim aqui para explorar
Eu só quero mesmo é me adaptar
Pra poder falar deste amor verdadeiro


saimon dias